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Luiz Lailo
Há 3 meses fiz a primeira visita ao Atelier Solarte, dirigido pelo artista plástico Dario Silva, para conhecer o local, os procedimentos e a relação de material que precisaria levar. De início uma surpresa - a tinta a ser utilizada, um corante para madeiras à base de água. Comprei as cores mogno e imbuia. A tinta é barata e se comporta adequadamente quando aplicada ao papel.

A seguir, minhas últimas borrocadas, estudos monocromáticos utilizando o corante para madeiras, cor mogno. Clique e maximize para ver os detalhes.


Luiz Lailo
Então uma vez por semana eu desligo do mundo e começo a sujar papéis, com método, é verdade. Nada que se compare a uma obra de arte mas acredito que seja um passo nessa direção.

É duro: o cérebro comanda um efeito e as mãos não sabem obedecer. Mesmo assim, vejam as variações de tons, às vezes apresentando fortes contrastes, em outras partes aparecendo uma mescla suave. Eu acho que chego lá, suando muito e tendo muita paciência.

Estudos da segunda-feira, 22 de março de 2010. Cliquem nas imagens para ampliar.
 
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Luiz Lailo

Neste magnífico prédio situado na rua do Lavradio. 84, centro do Rio de Janeiro foi fundada a Sociedade Brasileira de Belas Artes, em 10 de agosto de 1910, sob o nome Centro Artístico Juventas, conforme os dados contidos em SBBA, aqui.
No Flickr há um histórico do prédio, contruído em 1759, que serviu de residência ao Marquês do Lavradio. Veja aqui.

Estive na SBBA por duas vezes mas não guardei nenhum trabalho feito nessas ocasiões. Voltando agora, tive a satisfação de conhecer o artista plástico Dario Silva, dono de um invejável currículo. Abaixo, um dos seus trabalhos.



O mestre tem frases que encaixa em sua didática:
"Desenho do mesmo modo como assino meu nome".
"O universo com tudo que nele existe é realmente a fonte inesgotável para os artistas".

Ele manda pintar rapidamente, corajosamente, sem que nos detenhamos em detalhes. É como reaprender a andar.

Estou reaprendendo a andar, muito devagar. Colocarei meus passos aqui.
Luiz Lailo
Na última terça-feira meu compromisso principal era almoçar com determinados amigos, os cardeais, como os denomino. Lamentei não ter levado a câmera pois visualizei cartões postais que há muito não via, começando pela estação ferroviária em Nilópolis. Há 25 anos não punha os pés em um trem e eu adoro trens. Por todos os lugares vejo estradas abandonadas e trens desativados e fico muito triste. Por isso mesmo não levo muito a sério o trem bala nem acredito nele; além do mais nossa topografia não ajuda.

Atravessando o Campo de Santana a passos lentos fui enquadrando outros objetivos, a água coruscante onde deslizavam gansos à sombra de árvores centenárias, os preguiçosos gatos esparramando-se na relva, um monumento ao longe e as pessoas sentadas nos diversos bancos esperando o tempo passar. O fotógrafo lambe-lambe já fez parte dessa paisagem, eu mesmo tenho fotos tiradas nesse parque aos quatro, cinco anos. A profissão foi extinta à medida que a tecnologia avançava. Estranhei a não-existência de pintores ao ar livre captando toda a magia do lugar.

Antigamente eu era o rei das ruas do Rio, conhecia a localização do ramo de comércio que me interessava, as lojas de materiais de construção, material eletrônico, discos, livros, papelarias, som e até coisas mais inusitadas como cortiça e afins. Eu precisava comprar rolhas e tive que me informar. Comprei duzentas. No caminho entrei numa casa de som usado e admirei um velho Pioneer funcionado perfeitamente, segundo o vendedor, e custando 520 reais.

Finalmente a Casa Cruz, já recuperada do incêndio e repleta de fregueses. Comprei duas folhas de papel medindo 0,75 x 0,55 a 8 reais a unidade; havia papel custando 40 reais a folha mas isso por enquanto não cabe no meu orçamento. Comprei ainda dois pincéis e um godê (godet) decente, para misturar os pigmentos.

Dez para o meio-dia, hora do almoço. Quinze minutos a pé. Fui pensando nos preços que um excelente aquarelista cobra por um quadro – duzentos, trezentos dólares. Há quem ache caro, a exemplo daquele marajá das Arábias que encomendou um retrato a óleo do seu galo de estimação e perguntou ao pintor pelo preço e pelo prazo. Preço: 10 mil reais; prazo: um mês. Passaram-se os dias e nada de o pintor dar início à obra. Apenas no vigésimo oitavo dia começou a pintar. No dia da entrega e do pagamento foi contestado pelo marajá. Havia cobrado por um mês de trabalho mas fez o quadro em apenas três dias.
- E os 27 dias em que fiquei, exaustivamente, estudando todos os detalhes da exótica ave?, retrucou o mestre.

Pensem bem: papéis caros, moldura, pincéis e tintas de qualidade, o tempo dispensado à aprendizagem, mais o preço de um artista renomado. Me aguardem: quem quiser que eu pinte seu gato de estimação, não vai sair barato!

Para concluir, a história de um amigo que comprou dois ou três quadros oferecidos por um pintor lá mesmo no local de trabalho. Com o passar do tempo o artista tornou-se petulante e sugeriu que ele comprasse toda a coleção.
- E observe o seguinte, meus quadros só tendem a valorizar, principalmente após meu passamento. E eu lhe prometo morrer muito em breve, arrematou, rindo gostosamente.

O almoço foi muito bom apesar da presença de apenas quatro companheiros, quando o habitual são doze, quinze. A conversa ficou mais concentrada, disseram. Muita cerveja, pouca comida, que estou de dieta. A cerveja foi tomada com moderação e ajudou na fluidez do verbo. O Nunes “esqueceu” um compromisso e se apresentou como uma pessoa desprovida de quaisquer problemas, pelo menos naquele momento. E eu me sentia muito leve, descansado e também não vislumbrava qualquer perturbação no horizonte; e não era por causa da loira gelada.

Aprendendo a borrocar, em 11 jan 2009
(Cliquem na imagem para ver os detalhes)

Posted by Picasa
Luiz Lailo
Conforme falei no post anterior, estou há mais de vinte anos sem aquarelar. Vou recomeçar do zero. Tenho que assumir determinadas posições, sendo a principal não utilizar papel de qualidade inferior, nem para aprender a dar pinceladas básicas. Esses papéis servirão apenas para rascunhos a lápis.

Eis o que acontece com um papel ruim: ele fica enxarcado e o efeito de se retirar tinta para clarear áreas não funciona. Esse foi meu péssimo recomeço. Pode-se clicar nas imagens para ampliar e ter uma visão mais detalhada.

O papel que usei a seguir era 1% menos ruim que o anterior. Já melhorou alguma coisa. Consegui retirar um pouco de coloração em baixo, na área de sombra, mas o papel ainda está pesado.

Finalmente chegamos a um papel definitivo, falta apenas a dedicação do aquarelista.

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Luiz Lailo
Hoje vim espanar os móveis, tirar um pouco da poeira acumulada em dois meses e meio, que é o tempo que esta casa esteve fechada. Mas eu vou reaprender a andar. 

Minhas últimas tentativas de aquarelar datam de 1984. Ainda tenho tintas (algumas ressecadas) e papéis de boa qualidade (alguns amarelecidos) adquiridos nessa data e quase não usados por medo. Sou um medroso, o pior defeito que pode acometer um pintor principiante, medo de estragar os materiais mais custosos.

Em novembro fiz uma anotação a que dei o título de Desenvolvendo as aptidões e que continha o link da página DRAWSPACE.COM, para publicar. Vamos retomar as atividades fazendo essa publicação. São lições de desenho para principiantes, intermediários e avançados apresentadas por Brenda Hoddinott. É necessário fazer um registro para acessar as lições em PDF. 

Clique aqui para visitar. Como se diz, é imperdível. Mesmo.
Luiz Lailo
No Orkut as comunidades de aquarela são dominadas pelos indianos. Lembro que, quando me cadastrei, via por lá muitos Johns e Marys e os tópicos versavam muito sobre técnicas e materiais - pincéis, papéis, essas coisas. Mas agora o pedaço pertence aos indianos. Eles chegam e escrevem: "Please check my artwork and comment...", "Hey check out my work", "Do rate my paintings".

E as pessoas respondem: "They are beautiful!! amazing! :)",
"oooooo !!!!
they r fantastic.
...it was luking so natural.
...i really love it......keep it up!!",
" tooo good!!
all the paintings r really superb!!!
keep doing dude!!!!"

Assim, conheci o trabalho de vários indianos, entre eles Abdul Salim. Tive o cuidado de pedir-lhe permissão para publicar seu trabalho aqui no blog. Ele gentilmente respondeu: "ok... do it sir. /rgrds"
Rgrds é o miguxês para regards, assim como quase ninguém escreve you are, mas simplesmente you r.

Vamos ao seu trabalho. A aquarela é uma midia sem muita definição. No geral a imagem é sugerida em pinceladas transparentes e aparentemente descuidadas. O resultado depende da qualidade do artista. A aquarela abaixo bem poderia passar por uma foto.
Clique nas imagens para ampliar


Após a chuva - aquarela sobre papel


Fishing - aquarela sobre papel

A técnica da aquarela não prioriza o pigmento branco. Essa cor é a própria cor do papel. No entanto, na paisagem acima, tenho dúvidas se não houve um retoquezinho daquela bisnaga branca que faz parte de toda caixa do aquarelista. Vou perguntar ao Abdul. A paisagem é incrivelmente bela e difícil de retratar, desde as nuances do branco até o detalhe de sombra e luz nas ondas que circundam o barco.

Abdul Salim é um artista completo e expressa sua arte através de diversas midias explorando, inclusive, as ferramentas de computação, como o Adobe Illustrator.
Você, que é apaixonado por pintura, não deixe de visitar sua galeria no Flickr. Clique aqui e dê um colírio aos olhos tão maltratados por essa vida atribulada e pela poeira do difícil caminho.
Luiz Lailo
       Dartmouth Cove, with Sailor's Wedding
 Watercolor on paper (28x40 cm)
 
Até o próximo dia 21 de setembro está se realizando no The Metropolitan Museum of Art uma exposição de pinturas do inglês Joseph Mallord William TURNER (1775-1851). A maioria dos trabalhos está centrada em óleo sobre tela. Diz-se que a pintura a óleo era a base principal dos pintores laureados porém muitos deles eram excelentes aquarelistas. A aquarela era usada como estudo para a obra final. Isso não impediu que o trabalho em aquarela fosse o quadro final e acabado. Isso aconteceu muitas vezes com o mestre Turner. E é o que mostramos aqui.
Como sei que nem todos se interessarão em ver todos os quadros exibidos estou publicando aqui dois magníficos trabalhos a óleo. Reparem na diferença de dimensões entre os quadros a óleo e as aquarelas.
Cliquem aqui para ver os quadros, em seguida Enter here, J.M.W. Turner, View images from this exhibition, na primeira imagem e em next ou em qualquer imagem isoladamente. Podemos ampliar as imagens clicando nelas.
Vamos aos maravilhosos Turner.

Ulysses Deriding Polyphemus - Homer's Odyssey

Óleo sobre tela (132,5x203 cm)

The Shipwreck
Óleo sobre tela (170,5x241,5 cm)

Luiz Lailo
Standing Figure in Sunlight

Há um mês parado, não é possível!
Vamos movimentar o Borrocando publicando uma aquarela do mestre Charles Reid; e também contarei uma história relacionada.
Conheci esse pintor por intermédio de um amigo que amava a aquarela, o violoncelo e o violão. Ele me mostrou um livro do Charles Reid e me contou como o adquirira. A livraria não possuía a obra em estoque, eu teria que encomendar. O preço em dolar era $22,50. Eu dei uma parte em nossa moeda, que nem lembro mais qual era; se cruzeiro, cruzado, cruzeiro novo ou real. E fiquei aguardando o aviso.

Dali a quase dois meses me comunicaram que o livro havia chegado. Fui lá pegar. O funcionário da loja anotou o preço total, converteu para o dolar de livro do dia, diminuiu o valor que eu tinha adiantado em nossa moeda e me apresentou a conta.
Eu lhe disse: a conta não é essa. Converta o valor que lhe dei para o dolar da data do adiantamento. Subtraia do total em dolar. A diferença, convertida para a nossa moeda, é o que falta pagar.

A diferença do que ele queria me cobrar e o que me era devido pagar ainda me permitiu tomar um cafezinho na esquina...
Luiz Lailo

Stremmel Gallery


Eastern Point Light
watercolor
15.5 x 19.5 in.

Mais aquarelas de Charles Reid, clique aqui.

Luiz Lailo
O que se pode tirar do Orkut

Entrei para o Orkut após um longo período de resistência. Sempre achei que uma amizade nos moldes orkutianos não poderia prosperar. É uma comunidade sem muito compromisso com essa mesma amizade. Nos fóruns de discussão um fala sobre o Chile o outro responde Japão. Mas é assim em muitos fóruns. Resolvi então abandonar comunidades muito caladas e verificar onde eu poderia crescer. Já tinha examinado a Watercolour Painting com 2020 membros. Lá as pessoas têm muito a dar e pedem muito pouco, apenas uma dica sobre uma ou outra técnica, informações sobre papel, coisas assim. Marquei nos meus favoritos a página Milind Mulick. É um indiano. Ei-lo:

My father, Pratap Mulick, is a well-known illustrator and painter. My own artistic ability became apparent rather early. I have been drawing since the age of 5 and I started doing watercolour landscapes at the age of 13. I received our government's National Talent Scholarship to study art, but I decided to major in engineering rather than art. After graduation, however, I returned to my artistic inclinations and began doing architectural illustrations and other commercial and design work. I continued painting landscapes and giving art lessons as well.
E aqui dois trabalhos seus:


Banana tree, Watercolour, 20"x30"

After the rains

Luiz Lailo
Charles Reid

A aquarela é uma pintura de muita transparência e de pouca definição, poucos detalhes mas, quanto a esse último ítem, o presente retrato parece não seguir muito a norma. Apesar de vir nos estojos uma bisnaga de tinta branca, ela não é usada como branco. Todo o branco da aquarela é o papel não pintado. A aquarela não admite erros. Por ser um meio transparente, não há como consertar o que se errou. Observe-se que as manchas à esquerda do rosto, uma não oculta as outras. E, no mais, é reservar um tempo e ficar olhando, olhando, olhando...

Paul - Rockport Art Association
watercolor
12 x 15.5 in.

Luiz Lailo



Entrance to the Moulin de la Galette
Paris: June-September, 1887
(Amsterdam, Van Gogh Museum)


Vincent Van Gogh produziu 148 aquarelas durante sua carreira e estes trabalhos distinguiram-se como uma vibrante e importante parte de sua obra completa. O uso das cores por Van Gogh é, como sempre, maravilhoso e seus trabalhos de aquarela sobressaem como uma realização fora do comum no curso de sua arte constantemente desenvolvida.

Conheça as aquarelas de Van Gogh.
Luiz Lailo
Parada Obrigatória
Aquarela 28 X 56
Antônio Júlio Giacomin
Luiz Lailo
Jessica

Watercolour
3 novembro 2005
A aquarela elevada ao máximo grau de perfeição em cada detalhe.
Publicarei outros trabalhos aqui, mas se você quiser antecipar-se entre na Charles Reid's Gallery. Ou volte um nível no endereço acessando ArtistColony.com.
Luiz Lailo
Os mestres - Charles Reid

Portrait of Queen Elizabeth II
Watercolour
20.5 x 26 cm
Luiz Lailo
Estudo 06
1984
Aquarela
Luiz Lailo
Estudo 04
25 setembro 1984
Aquarela
Luiz Lailo
Estudo 01
Setembro/outubro 1984
Aquarela
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Luiz Lailo
Aquarela 03
Setembro/outubro 1984
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